Já não é a primeira vez que sinto este choque. Não é a primeira vez que o meu peito se assemelha a uma praia, onde sinto o embater das ondas… - Não! A luz diminui, mortiça, tudo à minha volta não mais que névoa e cheiro de mar. De água. De ínfimas gotas, invisíveis, projectando-se em todas as dimensões. Tempo. Espaço. E eu. Eu, estático, a afastar uma porta pesada de madeira trabalhada, a ver um longo corredor de mármore, um chão em xadrez preto e branco, ladeado por colunas de marfim, cravadas com figuras de seres alados e de homens santos. Ao fundo o cantar mudo, gaivotas?, e bem perto, o estrondoso rebentar das ondas, ensurdecedor, o silêncio ensurdecedor como o ventre de um trovão que rasga o céu… - Não pode ser! Dois passos para dentro. Desde que o teu rosto alvo me surgiu em vida, ou seriam apenas sonhos, o meu dia a dia foi perdendo simplicidade, paladar, aroma. Os rostos felizes nas festas dos solstícios, os a...