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Lúc., sobre a questão da maturidade

A entrada na idade adulta é caracterizada pelo aumento invulgar de merdas que nos fodem a cabeça, vulgo, chatices do caraças. Se está tudo a correr bem e a vida tem sido pacata, então estás a fazer algo de errado.

Sinto-me reverberar

Puxa o cabo com força Sente as entranhas contraírem-se Até o clique estalar A leveza instalar-se E ambos sabermo -nos juntos Ligados Conscientes um do outro E no entanto Ausentes de tudo o resto Damos a mão e dissolvemos o -----\/ Horizonte /\----- O mundo esmaga-nos o espírito. Mas recusamos a fuga. Erguemos interrogando Todas as cores e todas as luzes Todos os sons e todos os cheiros E um padrão surge. Um ribombar lento Metódico Cíclico (Previsível por se tratar de rotina, não vês) A nuvem surge E abaixo deles Todos eles marcham Um exército de ovelhas digitais Os seus cascos entoam nas superfícies envidraçadas Transparentes Os seus balidos prolongam a demência do pastor Consomem Não param de consumir e de balir A sua lã alva Tresanda a lixívia Sei-os sujos. Sei-os imundos e sei-os ocos. Ineficientes. Barulhentos. Sei-os dispensáveis. Desligo-me de ti e O peso regressa e as entranhas vibram no vácuo Prescindo de toda a tua tolerância e de toda a tua compaixão Pois sei-te duma perpétu...

Gente do Campo

"Isso é gentinha do campo, labregos, com a unhaca ao dependuro..." Filho duma puta arrogante. Tens a cabeça tão enfiada no cu que julgas que tudo o que te rodeia é uma merda, que tu é que estás certo. Miserável... Expressão de Ódio #1 - O ódio como mecanismo de equilíbrio

Eram estranhos.

"Eram estranhos. Os cheiros envolvendo o corpo. As diferentes tonalidades de pele. Algo não batia certo. A violência com que havia saído não era a mesma. Havia uma certa noção de arte explosiva que lhe era implícita. O sangue derramado, vindo do nariz e dos lábios, tinha espirrado no rosto de modo diferente. As contusões eram mais erráticas, menos metódicas como das outras vezes. As habituais marcas de espigões ao longo das costelas também com padrões aleatórios. A pele lacerada pelo chicote, também nada tinha a haver com o que havia sido feito em muitas outras noites. E cera. Cera de vela, derramada pelo peito. O meu peito. Marcas de ferros... ferros em brasa?! Algo de muito errado se passou comigo. Acho... a-acho que os seres encapuçados que tantas vezes entraram por minha casa não eram os de sempre... Existem... existem partes que não me lembro! Feridas... Feridas que não vi nascer! Oh-oh-deus... O q-que me ac-aconteceu? E-eram estranhos... Eram estranhos! Eram ESTRANHOS! SOCOR...

Por quem sois?

Por quem sois? Dizei-me! Por quem sois? Achai-vos reais? Dignos? Pois eu acho-vos prepotentes... Todos, sem excepção. Eu digo-vos por quem sois! Pela escuridão envolvente de árvores assombradas. Pelo silêncio taciturno da floresta. Pela saliva sedenta nas mandíbulas dum lobo. Um lobo que me olha, numa inocente voracidade, numa mais que natural vontade de me consumir. Um lobo que vê em mim o seu reflexo. Sois por mim, pelo meu lugar. Pois eu nego-vos. Não serei a presa de mim mesmo. Ou de qualquer um de vocês, querendo ser eu.

Os três últimos segundos d'Ele...

O vento sopra... Ele sabia. Três segundos e ele sabia. A gota de suor que lhe vinha escorrendo desde o centro da testa, e que por mero acaso, lhe chegou aos lábios. Sentia-lhe o sabor salgado. Estava quente, e ele estava pronto. Os músculos dos braço, tensos, preparados, prestes a esticarem-se num espasmo frenético. O som do seu coração alucinado abafava-lhe os ouvidos. Tudo soava distante. O elmo em brasa, tornando a sua cabeça um sol furioso no crepúsculo. As mãos cerradas no cabo, os nós dos dedos pálidos como cal. Dois segundos e "Mata-o! Acaba com ele!" Engole em seco, algo do tamanho dum punho de rocha. Sente-o rasgar a garganta à medida que desce. Há algo que o repulsa. Olha bem para dentro de si e sabe que algo está errado. Não é medo que o detém. Não é compaixão. É propósito. Ele sabe aquele não ser o seu lugar. Um segundo. "Longinus, mata-o!" Fecha os olhos e solta os músculos, empurrando a lança como uma armadilha acabada de ser disparada. Sente a ponta d...

Foda-se, tava a ver que não!

Ora então o porquê da minha ausência? Boa pergunta. Acho que isto dos blogues me chega em ciclos. Não é algo que se me entranhe, isto porque acho sinceramente que as opiniões das pessoas estão sobrevalorizadas. Pelo menos para mim. Ou porque pura e simplesmente não tenho pachorra para andar a ver o que os outros pensam. Isto da blogosfera é mesmo isso. Andar à cata de pensamentos e reflexões. Começam-me a chegar as minhas, apetece-me mais privacidade. Há também o trabalhinho. Comecei há pouco, e fica pouco tempo e energia para andar a reflectir e a ser sensivelzinho quanto baste para escrever qualquer merda. Porque quer se goste ou não, quem tenta escrever, chama a sua chama mais interior, e na labareda procura aquele raio de luz que se refracte na alma e traz ao de cima uma construção que todos se consigam identificar. E neste momento essa chama interior anda no mínimo, ou melhor, anda a queimar lenha para outros vapores. De momento não me apetece ser sensivelzinho, não me apetece an...